quarta-feira, 14 de agosto de 2024

Sociedade de consumo

A melancolia é um lugar comum. Ponto íngreme, o desejo e espanto de pular o som que os ossos fariam. O universo pequeno nos olhos de qualquer. A melancolia é um café com a dose certa de açúcar, capaz de te aquecer sem enjoar. A melancolia do final de um domingo que já foi, não  é doce, nem instiga. Quero morrer numa segunda feira. Não quero morrer, mas, posto que morro um cadinho por dia, que seja segunda pela manhã. Diante do cansaço e da esperança estúpida de um dia ser tudo que se quis, ou de apenas sobreviver mais seis dias a essa forma insólita e burra na qual desperdiçamos a vida, na tentativa vã de não padecer. Pagamos para não viver, morremos de esperar o dia em que viveremos, qualquer coisa de real importância. Qualquer pôr do sol, qualquer água gelada. Qualquer risada, ou choro sincero. Qualquer melodia.

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