sábado, 17 de agosto de 2024

Quereres

Quisera ser vento
Fluir por entre os corpos
Lugar comum 
Dos caminhos tortos 

Quisera minha boca 
Batom borrado
Nalgum ou 
Num bocado 

Quisera as cores 
À monocromática tela
Da cor dramática
Dos olhos dela

quarta-feira, 14 de agosto de 2024

Sociedade de consumo

A melancolia é um lugar comum. Ponto íngreme, o desejo e espanto de pular o som que os ossos fariam. O universo pequeno nos olhos de qualquer. A melancolia é um café com a dose certa de açúcar, capaz de te aquecer sem enjoar. A melancolia do final de um domingo que já foi, não  é doce, nem instiga. Quero morrer numa segunda feira. Não quero morrer, mas, posto que morro um cadinho por dia, que seja segunda pela manhã. Diante do cansaço e da esperança estúpida de um dia ser tudo que se quis, ou de apenas sobreviver mais seis dias a essa forma insólita e burra na qual desperdiçamos a vida, na tentativa vã de não padecer. Pagamos para não viver, morremos de esperar o dia em que viveremos, qualquer coisa de real importância. Qualquer pôr do sol, qualquer água gelada. Qualquer risada, ou choro sincero. Qualquer melodia.

Rodopio

Qualquer chuva rasa Pra me afogar de brinquedo Pular poças  Deslizar gotículas  Gritar ridículas Forjar arremedo Sem medo Nossas iniciais No...